AMATRA 8 recebe a paraense vencedora do Miss Beleza Trans Brasil

Isabela Santorinni não só se tornou a embaixadora da beleza trans, mas trouxe à tona a discussão sobre empregabilidade trans.

A paraense Isabella Santorinne foi eleita Miss Beleza T Brasil 2022. A ativista da causa transexual e estudante de jornalismo ficou em 1° lugar entre as 26 candidatas e representará o Brasil na Tailândia, durante o Miss International Queen. Santorinne foi recebida na sede da Associação dos Magistrados da Justiça do Trabalho da 8ª Região – AMATRA 8, na última sexta-feira (11/02).

A Miss foi recepcionada por vários magistrados entre eles, o presidente da AMATRA 8 Jônatas Andrade, o diretor de direitos humanos Otávio Ferreira, a diretora social Núbia Guedes, o diretor de esportes e qualidade de Vida Davi Magalhães, a diretora de direitos e prerrogativas, Camila Cavalcanti que também é coordenadora da comissão permanente de acessibilidade e inclusão, do TRT 8, além da coordenadora do Comitê de incentivo à participação feminina, antidiscriminação e diversidade, Léa Sarmento.

Ao contar sua história, Isabella falou das dificuldades em conseguir incentivo e patrocínio para participar do concurso nacional, ela disse inclusive que chegou a fazer rifas nas redes sociais para custear os gastos e conseguir participar da fase final, em São Paulo. Quando abordou sua influência nas redes sociais, a miss também contou de uma campanha iniciada por ela pedindo um emprego para uma pessoa trans que ganhou grande repercussão no país. Ao tratar do tema da empregabilidade, a ativista abordou um pouco da realidade da população transexual no cenário nacional.

“Eu acredito que a falta de informação é muito grande na nossa população e eu posso falar que eu tenho alguns privilégios, mesmo sendo uma mulher trans no Brasil, falo isso em relação às meninas que trabalham como profissionais do sexo. Não podemos demonizar essas profissionais, as vezes é a única forma delas sobreviverem. O que a nossa população realmente precisa é oportunidade, uma capacitação para serem encaminhadas ao mercado de trabalho. Eu percebo que também não conseguimos adentrar o mercado e se fixar nele por falta de estudo e sabemos que isso é muito grave. Isso é fruto do grande índice de evasão escolar dessa população, chamamos até de ‘expulsão escolar’, porque a pessoa trans é expulsa da escola no momento em que o seu nome social não é respeitado na hora da chamada, no momento em que essa pessoa não consegue usar o banheiro no intervalo, quando os professores e diretores também não respeitam a identidade de gênero dessa menina ou menino”, desabafou Isabella Santorinni.

A embaixadora da beleza trans agradeceu o convite da AMATRA 8 e agradeceu em nome de seu companheiro Rafael Carmo que também participou do bate papo. “Estamos muito felizes em poder estar conversando com vocês, e vocês me escutando, não só enquanto Miss Beleza T Brasil mas também como uma ativista do estado do Pará que procura sempre melhorias de empregabilidade e políticas públicas para a minha população”, finalizou.

O presidente da AMATRA 8, Jônatas Andrade, frisou a defesa dos direitos humanos como uma das missões da Associação. “Queria dizer que nós, juízes e juízas do trabalho, somos herdeiros de uma luta emancipatória, que é a luta do trabalhador. Essa luta tem 200 anos de história, começou com o capitalismo, sem ela não existiriam juízes e juízas do trabalho. Assim como a luta por igualdade mais antiga que é a luta das mulheres, mais de 10 mil anos. Precisamos fazer um exercício constante, inclusive no domínio e no uso da linguagem. São lutas emancipatórias como a sua, pela empregabilidade trans, que fazem parte do planejamento estratégico e da missão institucional da AMATRA 8 que envolve também os direitos humanos. Queremos dizer que nosso objetivo é transformar essa luta, em uma pauta não só regional, mas nacional. A ANAMATRA, que é nossa Associação nacional, acabou de criar de forma pioneira e corajosa a comissão LGBTQIAP+. Nós temos a certeza de que é um momento histórico e de avanço civilizatório para contemplar uma parte da população que está alijada do processo”, completou o magistrado.

O diretor de direitos humanos da AMATRA 8, Otávio Ferreira, tratou das preocupações diante do cenário atual. “A expectativa de vida da população trans é algo que nos preocupa muito. É muito assustador que a pessoa não possa ter uma vida digna por um longo período como a maioria da população e aí uma série de fatores desde a infância são responsáveis por esse triste cenário em que se encontram hoje. Quando eu passo nas ruas na região do bairro do reduto, aquela situação me preocupa muito, porque eu acredito que aquela não seja uma situação de trabalho digna, é um trabalho exercido, mas eu me pergunto, se todos tivessem acesso às capacitações e ao mercado de trabalho, será que estariam ali?”, questiona Dr. Otávio.

“Quando eu soube que você vai levar o assunto da empregabilidade trans pros debates e eventos relacionados ao Miss Beleza T Brasil, eu penso que precisamos fazer uma aliança no sentido de dar voz à essas pessoas e conseguir melhores condições, sejam cursos profissionalizantes para a população trans, seja parceria com empresas que abracem a causa e consigam fazer isso acontecer. A ideia da AMATRA 8 é permitir fazer esses convênios que possibilitem participar da fase de ensino, de capacitação, para que as pessoas consigam inclusive exercer a sua cidadania. Para que conheçam seus direitos, a exemplo do nome social. A falta de conhecimento gera esse déficit de cidadania para a população trans”, completou o diretor em sua fala.

O encontro foi realizado de forma híbrida, proporcionando a participação de mais membros da diretoria que participaram de suas localidades através da plataforma digital. De forma virtual estiveram presentes, a vice-presidente da AMATRA 8 Natasha Schneider, o diretor para juízes aposentados Herbert Tadeu Matos e o secretário-geral André Maroja. A visita rendeu uma reunião conjunta no dia 16, sobre projeto de empregabilidade Trans com a Comissão LGBTQIAP+ Anamatra.


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