Juízes do Trabalho se mobilizam na II Marcha contra o Trabalho Infantil

II Marcha contra o Trabalho Infantil levou às ruas cerca de duzentas mil pessoas.

A II Marcha de Belém contra o Trabalho Infantil, realizada no dia 1º de março (domingo), foi aberta oficialmente pela presidente do TRT8, desembargadora Pastora Leal. A presidente agradeceu a desembargadora Zuíla Dutra e a juíza Vanilza Malcher, que coordenam a Comissão de Combate ao Trabalho Infantil do TRT8, pela organização e envolvimento de todos os voluntários e parceiros que apoiaram a mobilização. "É um congraçamento de solidariedade e conscientização para essa ainda invisível força de trabalho de crianças e adolescente em tenra idade que merecem proteção. Isso marca efetivamente e a cada ano que passa a tendência é engrossar as fileiras de solidariedade e isso é muito bom para Belém, para a região amazônica e para o Brasil".

A abertura também foi marcada pela apresentação da Banda do Corpo de Bombeiros e pelas falas da Desembargadora do Trabalho Maria Zuíla Dutra, da Procuradora-chefe do Ministério Público do Trabalho (MPT), Cintia Leão; do Secretário Executivo do Fórum Estadual de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil (FNPETI), Inocêncio Gasparim; do Prefeito de Belém, Zenaldo Coutinho; do Arcebispo de Belém, Dom Alberto Taveira; e da Secretária de Cultura do Estado, Úrsula Vidal, que representou o governo do Estado do Pará.

Em seu pronunciamento o arcebispo de Belém, Dom Alberto Taveira, lembrou o trecho da Bíblia "Vinde a mim as criancinhas, pois delas é o reino dos céus" para mostrar a pureza, simplicidade e inocência das crianças e ressaltou a importância do evento em prol da infância. "É uma grande alegria ver a sociedade organizada, afinal de contas é um trabalho organizado a partir do Tribunal. Isso para nós é muito representativo porque significa sensibilidade e o desejo de que a gente mude os rumos da sociedade".

A procuradora chefe do Ministério Público do Trabalho, Cíntia Leão, disse que o combate ao trabalho precoce é um dever do Poder Judiciário. "O MPT e o TRT8 têm esse dever de combate ao trabalho infantil, tanto de atuar na repressão, na fiscalização, na responsabilização de quem explora essa mão de obra, mas principalmente também na conscientização da sociedade porque a prevenção é a melhor forma de combater. E essa prevenção se faz com muita conscientização da sociedade".

Os magistrados do trabalho se mobilizaram e foram às ruas com seus familiares. Juízes e desembargadores se uniram à massa, somando forças contra o Trabalho Infantil. A juíza do trabalho, diretora da AMATRA 8, Léa Pessoa Sarmento, ressaltou que marcha foi vibrante e pacífica. “A emocionada participação dos presentes sinaliza que o combate ao trabalho infantil é um anseio da nossa sociedade e os juízes do trabalho estão unidos e engajados nessa luta que é de todos nós”.

A desembargadora Zuíla Dutra, gestora do Programa de Combate ao Trabalho Infantil do TRT8, lembrou que cada um pode fazer a sua parte no combate ao trabalho infantil. "Acreditar que o trabalho infantil é uma grave chaga social, abrir os olhos para essa realidade. Cada um pode de alguma forma contribuir, não comprar nada de criança e adolescentes nos sinais de trânsito, não contratar serviços nem produtos, não dar esmolas, porque cada vez que você faz isso, você está contribuindo para a perpetuação da pobreza".

Caminhada

A caminhada saiu por volta de 9 horas da manhã e seguiu pela Avenida Presidente Vargas, uma das principais ruas do centro de Belém. Crianças, jovens, adultos e idosos representando entidades e instituições parceiras seguiram por todo o trajeto em pelotões animados. Ao longo de todo o percurso, em cima dos trios elétricos, comunicadores leram mensagens de apoio dos parceiros contra o trabalho precoce.

A atriz Dira Paes caminhou ao lado da desembargadora Zuíla Dutra e da juíza Vanilza Malcher e foi saudada pelos participantes que paravam para tirar fotos e falar com a atriz. Grande parceira da Comissão, a atriz destacou a importância da proteção integral de crianças e adolescentes. "A gente pretende não só conscientizar, mas mobilizar o máximo de pessoas possíveis para que a gente possa trazer essa conscientização amplamente para o estado inteiro. Então, não só conscientizar, mas levar o nosso recado para onde for".

A cantora Mariana Belém, que tem um blog onde discute temas ligados à maternidade, veio em cima de um dos trios. Ela disse que foi uma honra participar pela segunda vez do evento e falou sobre os desafios de fazer essa mobilização acontecer. "É um evento muito difícil de organizar, como tudo que envolve o direito dos outros. Então, tenho um respeito enorme por esse trabalho. Não estamos falando de qualquer coisa. Estamos falando de criança. E criança não se desenvolve trabalhando. Criança que não brinca, não sonha, não vive, vai estar com a saúde debilitada em pouco tempo. Acho importante essa mobilização para se conscientizar".

A Escola Salesiana do Trabalho levou cerca de 1,2 mil alunos para a II Marcha. Universidades, faculdades e institutos jurídicos também se uniram ao movimento.

O Tribunal de Justiça do Pará (TJPA) esteve presente com servidores e 35 crianças de um projeto social que a instituição desenvolve em uma escola na comunidade de Santana do Aurá, em Ananindeua, para onde o tribunal leva educação, saúde e alimentação. Para o presidente do Tribunal, desembargador Leonardo Tavares, iniciativas como essa são um grande incentivo. "Foi para incentivar e mostrar que as crianças têm o direito delas e que nós estamos reconhecendo. É uma cidadania, dever de todos, não é só dos tribunais, é da sociedade como um todo. Não podemos deixar a responsabilidade só para os governos".

Números

De acordo com dados de 2016, informados pelo DIEESE, o Pará tem 168 mil crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil. No Brasil, atualmente, esse número ainda é muito elevado. São cerca de 2 milhões e meio de crianças e adolescentes que estão perdendo a infância e lutando para sobreviver, muitas vezes sendo marginalizados.

Carta de Belém

A caminhada encerrou na Avenida Nazaré, onde a desembargadora Zuíla Dutra, a juíza Vanilza Malcher e os artistas leram a Carta de Belém pela erradicação do trabalho infantil no Brasil. O documento revela preocupação com o número de trabalhadores infantis no Pará e no Brasil, denuncia a violência que ceifa vidas e compromete a paz social e exige a promoção de políticas públicas voltadas para o desenvolvimento integral de crianças e adolescentes. (Veja na íntegra)

Com informações da ASCOM do TRT 8.

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