Movimento República de Emaús, do Pará, é campeão do Prêmio Anamatra de Direitos Humanos 2020


A Associação Nacional de Magistrados da Justiça do Trabalho, em cerimônia realizada no dia 30 de outubro de 2020, revelou que o Movimento República de Emaús foi o vencedor do Prêmio Anamatra de Direitos Humanos 2020, categoria cidadã. A premiação valoriza a defesa dos direitos humanos, o exercício dos direitos sociais, o combate à discriminação, o combate ao trabalho infantil, escravo e degradante e a promoção do trabalho decente: o Movimento de República de Emaús é sua mais legítima representação, fundado em 1970 pelo padre Bruno Sechi.

A AMATRA 8 manifestou pesar pelo falecimento, vítima de Covid-19, do ícone ítalo-paraense que traduziu adequadamente todo o mote da premiação e incentivou desde a primeira hora a candidatura à premiação nacional. Natasha Schneider, diretora da Amatra 8, refere: “(…) Eu era criança, acho que na quarta série da escola Arapitanga, uma escola montessoriana nos anos 80, e a escola fez uma excursão à República de Emaús. Foi inesquecível pra mim. Lembro da longa viagem de ônibus até o Benguí. Lembro do chão de terra batida, das outras crianças maiores que eu realizando diversas atividades, lembro da horta que me encantou, lembro de pedaços de eletrônicos que as crianças avaliavam e consertavam. Fico feliz de ter se tornado um projeto duradouro, bem sucedido e agora reconhecido nacionalmente. Mérito do padre Bruno. Quem dera ele estivesse vivo pra ver isso (…)”.

O sacerdote fundador e símbolo do Movimento tinha 80 anos, salesiano, nascido em 1939 na Sardenha, Itália, naturalizado brasileiro, liderou movimentos nacionais da causa da criança, atuou em favor do menor na Constituição da República de 1988 e contribuiu para a criação do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). O Movimento é um programa que tradicionalmente coleta doações nas ruas da grande Belém para reciclagem, oferece ensino profissionalizante, assistência jurídica, entre várias outras formas de atuação em prol de milhares de crianças e adolescentes necessitados.

“A escolha no Movimento República de Emaús ao prêmio de Direitos Humanos 2020, promovido pela ANAMATRA, me deixou imensamente feliz, não somente pelo belíssimo exemplo de luta em defesa de crianças e adolescentes, mas também porque foi a primeira entidade que aceitou a parceria com o Programa Trabalho, Justiça e Cidadania – TJC, da Amatra8, quando o implantamos na 8ª Região, em 01/03/2012. Foi uma parceria muito enriquecedora porque o padre Bruno era um ser de LUZ e uma grande inspiração para todos aqueles que lutam para proteger a infância e dar efetividade ao art. 227 da Constituição Federal”, contou a desembargadora do trabalho Maria Zuíla Lima Dutra, que foi uma das responsáveis pela implantação do Programa TJC na 8ª Região.

Para o magistrado Océlio de Jesus Carneiro de Morais, o Movimento República de Emaús tem uma participação muito importante no cenário da magistratura do Pará e do Amapá. “Quando concebíamos aqui na 8ª Região a instalação do programa TJC, procurando entidades parceiras, me ocorreu a ideia do Emaús, pois já conhecia o padre Bruno Sechi de muito tempo, trabalhamos juntos na Conferência Nacional dos Bispos do Brasil. Já sabia do seu intenso trabalho com a comunidade, sobretudo com crianças de rua. Bruno Sechi reuniu em 1970, alguns educadores e começou um grande trabalho que a sociedade reconhece através do Movimento da República de Emaús, uma organização que naquele tempo já atendia centenas de crianças e hoje um universo quase incalculável, pois tem diversas ramificações, para implementar um processo educativo, de inserção dessas crianças na vida social através de um trabalho técnico de aprendizagem”, explica o juiz titular da 11ª Vara do Trabalho de Belém. “Foi uma experiência maravilhosa, me senti bastante gratificado”, finaliza.

Dra. Zuíla Dutra, que é coordenadora da Comissão de Combate ao Trabalho Infantil e de estímulo à Aprendizagem do TRT 8, comemora a escolha da ANAMATRA em 2020. “Este prêmio representa uma autêntica vitória dos direitos humanos e, em especial, das crianças e dos adolescentes que ao longo de 50 anos reescreveram a história de suas vidas, sob o comando do saudoso Padre Bruno. Só nos resta honrar a sua memória prosseguindo o bom combate que ele iniciou”.

“Obrigado Bruno Sechi, valoroso parceiro da AMATRA 8, apoiador do programa TJC – Trabalho, Justiça e Cidadania, e agora, Prêmio Anamatra de Direitos Humanos”, agradeceu, em nome de toda a diretoria da AMATRA 8, o juiz, Jônatas Andrade.

O evento na íntegra ainda pode ser assistido em https://www.youtube.com/watch?v=rucD8FtBur4&feature=emb_err_woyt.


Por Jônatas Andrade e Renata Torres

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