A juíza presidente da Associação dos Magistrados da Justiça do Trabalho da 8ª Região (AMATRA 8), Roberta Santos, conduziu na manhã desta sexta-feira (8), a programação especial em uma comunidade quilombola ribeirinha, chamada Itacoã-Miri, no município de Acará, no Pará, que integra as atividades do último dia do Seminário “COP 30: Mudanças Climáticas e Trabalho Decente na Amazônia”.
Durante a travessia de barco até o local, Roberta Santos deu as boas-vindas aos participantes e apresentou as orientações para a jornada. Ela destacou que o evento é de uma importância muito grande, não só para os magistrados e magistradas da 8ª Região, mas para a Justiça do Trabalho brasileira como um todo. “Esta foi uma reunião inédita de colegas de todo o Brasil, na Amazônia, para discutir trabalho decente e mudanças climáticas”, comentou a presidente.
Ao chegar à comunidade, os participantes foram recebidos com uma demonstração prática de coleta de açaí, conduzida por um “peconheiro” local, que mostrou o uso da peconha e a técnica de subida na palmeira para retirada dos cachos. A mestranda da Universidade Federal do Pará, Áurea Duarte, pesquisadora sobre o trabalho infantil, acompanhou o grupo.
Para ela, “Esse evento é importante para entender como é que funcionam essas explorações e como achar meios de combater o trabalho infantil. De dentro da perspectiva do projeto “açaí sem trabalho infantil”, a imersão tá sendo de suma importância para compreender como essa comunidade funciona e trabalha com a coleta do açaí dentro da cadeia produtiva dele. Para a gente entender as diferentes perspectivas, compreendendo que tanto o Pará quanto a região amazônica é diversa e que essas explorações podem se dar de maneiras também diversas”.
Após a atividade, a comitiva seguiu para a escola da comunidade, onde foi recepcionada pela associação de moradores com um lanche preparado especialmente para a ocasião. No local, foi realizada uma roda de conversa, fortalecendo o diálogo e a troca de experiências sobre o combate ao trabalho infantil e outras pautas sociais relevantes.
Segundo Roberta Santos, “a nossa imersão na comunidade quilombola de Itacoã-Miri foi espetacular. Nós pudemos ouvir pessoas da comunidade, exercitar a nossa escuta ativa, qualificada, atenta, e renovar o nosso compromisso com a Justiça social. Somos uma justiça social e esses momentos são realmente de muita reafirmação da magistratura que nós precisamos ser e que queremos”, concluiu.
Um dos magistrados que participou da imersão foi o juiz titular da 3ª Vara do Trabalho de Parauapebas (PA), Albeniz Martins. Para ele, a imersão na comunidade foi de grande importância. “A gente que está defendendo uma transição climática justa, tem que abrir o diálogo social e não iremos dialogar sozinhos na capital, então precisamos começar a ter contato com essas populações mais vulneráveis, com esses povos tradicionais. Essa é a importância desse momento para a magistratura. Com o conhecimento da realidade, poderemos aplicar no nosso processo com muito mais qualidade, pois quem conhece a realidade, geralmente, julga de forma mais justa”, finalizou o magistrado.
Renata Torres
Assessora de Comunicação da AMATRA 8.